Sair do quadrado é preciso

Esse post está bem atrasado, mas eu precisava escrevê-lo com carinho.  Em abril passado, entrevistei um amigo que iniciou um projeto pessoal muito bacana. “Saia do Quadrado” é o nome que Arthur Bozzon escolheu para sua ação: passar uma semana inteira usando roupas de estilos diferentes, fugindo do “padrão” ou usando peças que ele não usaria no dia-a-dia. E convidou mais pessoas para fazerem o mesmo.

Entre os dias 25 e 29 de abril, ele, que é estudante de engenharia, fez de seu Facebook uma espécie de “Diário” onde postava os looks, relatando como foi a experiência, a reação das pessoas e suas sensações ao usar cada roupa. Essa não foi a primeira “edição” do projeto. No início do ano, ele decidiu ir de saia para a faculdade durante uma semana. “Meu objetivo foi simplesmente quebrar o paradigma de que você tem que ser de determinada forma dependendo do que você quer fazer. As pessoas devem nos olhar e gostar de quem somos, independente de como nos vestimos”, disse.

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“Decidi iniciar o #saiadoquadrado com o visual Funk, por ser um dos mais criticados pelos meus amigos.”
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“Hoje no 2º dia de projeto, tentei homenagear a tribo otakus. (…)Várias pessoas pediram pra tirar foto comigo. Embora eu tenha chamado a atenção, a ideia passou adiante.”
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Em seu Facebook, Arthur fez relatos diários sobre a experiência de usar as roupas, que não são do seu estilo habitual.

Arthur veio de São Paulo para Juiz de Fora há alguns anos e contou que, ao chegar na cidade, reparou uma intolerância da população com relação ao modo de vestir das pessoas – “Sinto olhares tortos apenas por andar de chinelo”. A partir disso ele tomou a iniciativa do projeto, convidando todos a romperem alguns “padrões” da vestimenta. “Quando usei saias, muita gente questionou, perguntou se era alguma religião. Outros pareciam se interessar, as meninas levavam mais na brincadeira.”

Na edição de abril, cerca de dez pessoas embarcaram no “Saia do Quadrado”. Pessoas que inovaram o visual de alguma forma. Isabelly Coelho foi uma delas. Ela se sentiu motivada a usar seus vestidos longos e estampados e a assumir elementos da cultura negra em seu visual, como o turbante.

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Arthur e Isabelly

No dia em que nos encontramos, Arthur usava uma blusa com estampa de inspiração indiana, calça estampada e sandálias. Segundo ele, era o dia com o tema “Hippie brasileiro”. Regras e definições à parte, o mais interessante no projeto não eram as roupas que ele usava, mas sim a atitude de usá-las. A escolha de romper a rotina do vestir, se propor a encarar o novo e passar pela experiência de brincar de ser uma pessoa diferente a cada visual. Da mesma forma, é uma forma de encorajamento: vamos usar o que queremos usar, e comunicar nossas ideias por meio dos cortes, tecidos, estampas e acessórios. Por mais que por dentro possamos ser os mesmos, as roupas que vestimos produzem significados e transmitem diferentes mensagens.

Por fim, fica o conselho: Sair do quadrado faz bem e é necessário.

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