Audrey Hepburn: do cinema para a moda

Quando eu fiz meu TCC de moda lá em 2014, passei por temas diversos até chegar a conclusão de que não existiria melhor tema pra mim, naquele momento. Desde o início da faculdade, a Audrey Hepburn foi minha referência. Não existiria melhor forma de fechar aquele ciclo do que falando da minha atriz favorita de sempre. E meu trabalho de conclusão de curso foi maravilhoso de se fazer. No curso de moda que eu fiz, a gente tem que fazer a parte teórica mas também tem que desenvolver uma mini coleção de roupas. Acho que TCC é complicado pra todo mundo, e dá trabalho mesmo, mas quando você encontra um tema pelo qual é apaixonado, fica tudo mais leve. Confesso que até tenho saudade da época, de quando eu precisei mergulhar fundo na história e nos filmes da Audrey.

Hoje, 4 de maio, é a data em que, há 88 anos, nasceu a eterna Bonequinha de Luxo. Enquanto eu pesquisava para o meu trabalho, 3 anos atrás, aprendi algumas coisas sobre “mitos”: Mitos não morrem, porque continuam sendo lembrados por gerações. A Audrey é um desses mitos criados pela indústria do cinema. Com o estilista Hubert de Givenchy, construiu um estilo atemporal e usou figurinos icônicos. No meu trabalho, falei sobre a influência que o cinema tem para a moda. A criação de figurinos marcantes faz com que o jeito de se vestir de determinada personagem saia das telas e ganhe os guarda-roupas dos espectadores. Além disso, eu analisei o figurino de 4 filmes, compreendendo a mensagem que cada um deles transmitia. Eu sou completamente apaixonada por figurinos, gosto de imaginar como cada roupa foi pensada para ajudar na compreensão das histórias. Nos filmes que eu escolhi, os figurinos são elementos importantíssimos para mostrar a personalidade, transformação e crescimento das personagens.

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Cinderela em Paris (1957)

Em “Bonequinha de Luxo”, as cores usadas em cada look da Holy Golightly combinam com o contexto das cenas. Alguns elementos revelam a excentricidade da Holy, combinada a uma elegância marcante. Já nos filmes Sabrina e Cinderela em Paris, as roupas das personagens no início são discretas, e depois  elas passam por transformações e mudam de estilo. Sabrina passa uma temporada em Paris e volta com um visual mais “adulto”, já a Jo, de Cinderela em Paris, começa o filme como uma discreta vendedora de livros e termina como uma top model, com looks escolhidos pela equipe da revista na qual ela vai trabalhar. Em My Fair Lady, a Audrey interpreta a Eliza, uma florista humilde que é usada como parte de uma aposta e recebe aulas de etiqueta. Assim, passa a se vestir como uma moça “da alta sociedade”.  Não entrarei em detalhes sobre cada história, porque acredito que vale muito a pena assistir cada um desses filmes.

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Bonequinha de Luxo (1961)

Das pesquisas feitas, surgiu a coleção “Audrey Hepburn: Do cinema para a moda”, trabalho que guardo com muito orgulho e carinho. Tive a ajuda de pessoas muito importantes, que fizeram o caminho do TCC ser ainda mais especial: Minha família, meu orientador Fred Simão e minhas amigas (5 delas, inclusive, toparam ser as minhas “Audreys” na passarela, deixando o desfile e as roupas ainda mais bonitos <3). O resultado tá nesses registros aí embaixo 🙂

 

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Amanda Miranda, look inspirado em Cinderela em Paris. Foto: Débora Agostini

Mesmo com os desafios, a coleção foi uma delícia de executar. Minha parte favorita foram as estampas: cada uma tem elementos simples que falam sobre os filmes que representam. 🙂 Decidi revisitar a coleção neste post como uma forma de homenagear o meu ícone de estilo favorito. Essa não é a primeira vez que falo sobre a Audrey por aqui: no ano passado eu contei um pouco sobre a história dela aqui.

Fiquem com uma das minhas cenas favoritas da vida ❤ :

Minha moda não é sustentável

Voltei incomodada e reflexiva. No ano passado, eu falei aqui sobre o Fashion Revolution Day, a campanha que rola no dia 24 de abril no mundo todo para lembrar todo mundo de ter mais consciência no consumo de moda, colocando foco naqueles problemas todos que envolvem a cadeia dessa indústria e que muitas vezes a gente faz vista grossa e releva. Tem exploração humana e ambiental pra caramba, assim como em outras áreas e indústrias. Eu fiz uns posts falando sobre isso e até um falando sobre o impacto ambiental da produção do algodão. Eu fiz o blog “Moda Sem Sacola” para explorar esse assunto e produzir conteúdo de moda sem deixar de lado essas questões. Eu queria falar de uma moda mais “legal”.

Aí hoje eu me peguei pensando: até que ponto tudo isso me incomoda? Até que ponto eu estou agindo sobre isso? Eu quero uma “moda sustentável”, mas eu não estou de fato mudando o meu comportamento para isso. Eu ainda consumo roupas de lojas de Fast Fashion, as mais acusadas de usar trabalho escravo. Eu não escolho o que eu compro pelo material do qual as roupas foram feitas (exceto pelo couro e pele animal, que eu não compro mesmo). E olha, eu sou consciente. Mas a moda que eu consumo ainda não é sustentável. Não tem moda sustentável: tem tentativas, caminhos, meios de consumo sustentáveis. Mas a produção que respeite os seres humanos e o meio ambiente em todas as suas etapas, desde o material do qual é feito o tecido, a forma como esse produto vai retornar ao meio ambiente depois de ser descartado pelo consumidor, é praticamente inexistente. Mesmo se for tudo perfeito até o consumidor final, quando saímos da questão material para a linguagem e como a moda é lida pela sociedade, entramos em uma série de outros problemas e questões que ainda não foram resolvidos. E eu tô aqui e essa mesma moda é o que eu amo, mesmo que muitas vezes não dê para defender. Eu quero discutir, quero descobrir novas possibilidades e acredito no potencial e importância que as roupas têm.

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Roupas do Brechó “Tem Estória Tem Memória”. Foto: Isabela Magalhães

Na segunda-feira, dia 1º, assisti a uma palestra excelente da Ana Cláudia Vidigal no espaço FO.CA. Lá, ela me deixou mais incomodada (e inspirada) ainda. Ela disse que todo mundo, sendo parte da produção ou sendo consumidor, precisa urgentemente pensar, refletir. Do contrário, não tem saída. Depois da palestra dela, o Luiz Octávio Gonçalves falou sobre o Design Thinking, contextualizando para a moda. No design thinking um dos principais pontos é a empatia, se colocar no lugar do outro. Isso aí não deve ser apenas para solucionar problemas no que diz respeito ao design dos produtos, tem que ser um pensamento levado pra vida. A empatia é um dos caminhos para a sustentabilidade sim, porque se a gente de fato se colocasse no lugar dos funcionários explorados pela indústria, por exemplo, não seríamos capazes de compactuar com esse cenário.

Pensar não é o suficiente. É aquela coisa: tô fazendo “coisa errada”, mas se estou consciente, tá tudo bem. Não está! Eu sei, tem muita coisa errada nesse mundo, e a cadeia da moda (e do consumo em geral) é mais uma das coisas que estão bagunçadas. A gente tem que mudar de postura, porque ficar apenas “incomodado”, não vai dar resultado nenhum, só vai te deixar com a consciência pesada mesmo. Vim aqui provocar vocês, na intenção de me provocar também. É muito confortável eu escrever esse texto de motivação aqui, desligar o computador e pronto, fiz minha parte. Quero sair dessa zona de conforto. Vamos juntos.

(Com todo meu amor e minha vergonha na cara depois de quase cinco meses. Não desistam de mim!)

 

Desfile: XIV Sonhos e Devaneios

É muito bonito acompanhar o crescimento de um curso, e, mais ainda, visualizar sonhos se concretizarem na forma de roupas e acessórios. Assim são os desfiles “Sonhos e Devaneios” para mim. O evento de conclusão de semestre e curso das turmas de Design de Moda do CES JF acontece duas vezes ao ano, e, de quatorze edições, eu tive a felicidade de estar presente em nove.

Aqui, eu conto um pouquinho sobre cada parte do XIV Sonhos e Devaneios, que aconteceu no sábado passado, dia 2 de julho, no Campus Academia.

❤ De volta à casa

Depois de três anos no estacionamento do Independência Shopping, o evento retornou ao Campus Academia, com uma novidade especial: paralelo ao desfile, rolou um Show Room com algumas marcas dos alunos e ex-alunos. Uma ótima oportunidade para conhecer de perto quem está fazendo a moda acontecer em Juiz de Fora ❤

O novo local possibilitou uma estrutura mais confortável para a plateia. Além disso, a iluminação favoreceu ainda mais os detalhes das peças desfiladas. O cenário era simples, apenas as luzes e a passarela, que dessa vez foi montada no formato “T”, aumentando o percurso das modelos. A duração do evento foi maior devido à esse aumento do percurso, somado aos vídeos de introdução de cada parte do desfile. Antes dos desfiles do primeiro, terceiro e quinto período, o telão exibia entrevistas com os professores do curso, que explicaram um pouco sobre o processo de criação dos projetos.

❤ Moda e gênero

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Uma das questões levantadas pelo “XIV Sonhos e Devaneios” foi o debate sobre moda e gênero, que vem ganhando cada vez mais força nos últimos tempos. O vídeo de abertura apresentou o artista Nino,  perfomando a Drag Queen. A introdução do tema foi feita um mês antes do evento, no lançamento da campanha de divulgação do desfile, e quando alunos e ex alunos assistiram ao Documentário “Femmenino”, que mostra a cena Drag Juiz Forana, e, em seguida, participaram de um bate-papo sobre o assunto.

Nino fez participações no evento, entregando o prêmio Marcelo Mostaro e desfilando na passarela ao final da ocasião.

 

❤ Primeiro desfile:

o primeiro desfile, “Desconstruções Estéticas de Picasso e Pugh” abordou os temas: Pablo Picasso e o designer Gareth Pugh. Os alunos do primeiro período desenvolveram as peças em algodão cru, e o tecido foi tingido, bordado e estampado por eles.

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O primeiro período é a fase em que os estudantes são motivados a soltar a criatividade, de todas as formas possíveis. O desfile é mais conceitual, e, apesar das peças serem desenvolvidas por designers iniciantes, é rico em beleza e capricho.

❤ Segundo desfile:

Com o tema “Loucura Glam”, o segundo desfile apresentou peças feitas com malha. As estampas presentes nas peças foram selecionadas entre diversas estampas que os alunos desenvolveram no período. No vídeo introdutório, foi destacado que o terceiro período, que corresponde o terceiro desfile, é crucial para os alunos, por ser o momento em que eles desenvolvem sua marca, que será usada nos próximos períodos e no TCC. Assim, cada um procura colocar sua “identidade” de marca na passarela.

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❤ Novos designers: as mini coleções de conclusão de curso

A última parte dos “Sonhos e Devaneios” é guardada para os formandos. Os vinte(!!!!) novos Designers desfilaram suas mini-coleções, cada uma com cinco looks.

Os temas desse semestre estavam super variados, e entre as novidades que chamaram a atenção estavam os trabalhos de elaboração de figurino.

A designer Ághata de Freitas Coutinho trouxe uma reconstrução do figurino do “Cortejo: Sonho de Uma Noite de Verão”, da Cia. Academia, na coleção intitulada: “Quando Shakespeare se veste para um cortejo mineiro: Um diálogo entre designer e ator”. O momento foi de muita descontração e aplausos animados: O elenco participou do desfile, cantando algumas canções do Cortejo.

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Maria Andreza Barbosa apresentou uma coleção de lingerie: “Entre rabiscos e guitarras: A década de 1950 sob o olhar da rebeldia”.

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Inspirada no universo de Alice no País das Maravilhas e na Op Art, Larissa Almeida de Oliveira elaborou uma coleção ousada e colorida, com estampas e bordados que remetem aos efeitos das drogas alucinógenas.

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Dono dos flashes mais badalados do mundo da moda atual, o fotógrafo Mário Testino foi uma das referências para a coleção de Gabriela dos Santos Rodrigues, que elaborou a coleção “Olhares sobre Grace Coddinton e Mario Testino: A produção de moda no contexto da imagem revelado”.

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O momento romântico ficou por conta da designer Rachel Cruz e Silva, que se inspirou no clássico “A Bela e a Fera”e arrancou muitos suspiros da platéia. ❤ ❤

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O grande destaque da noite foi o trabalho da aluna Mariana Ferreira, a coleção “O artesão revisitado: No luxo de Denner Pamplona e na originalidade da Oficina de Agosto”. Mariana ganhou o Prêmio Arpel, e sua coleção ficará exposta na vitrine da loja por uma semana.

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Fiz muitas outras fotos no evento, e sem dúvidas teve muito mais coisa legal além do que comentei aqui. Mas, para o post não ficar tãaao extenso, deixei todas as outras fotos no meu Flickr. >  Veja tudo aqui!

No final do ano tem mais, e eu recomendo que todos aproveitem a oportunidade de prestigiar os “Sonhos e Devaneios” e de se inspirar na criatividade desses novos designers. ❤

Obrigada pela visita!

 

 

Sair do quadrado é preciso

Esse post está bem atrasado, mas eu precisava escrevê-lo com carinho.  Em abril passado, entrevistei um amigo que iniciou um projeto pessoal muito bacana. “Saia do Quadrado” é o nome que Arthur Bozzon escolheu para sua ação: passar uma semana inteira usando roupas de estilos diferentes, fugindo do “padrão” ou usando peças que ele não usaria no dia-a-dia. E convidou mais pessoas para fazerem o mesmo.

Entre os dias 25 e 29 de abril, ele, que é estudante de engenharia, fez de seu Facebook uma espécie de “Diário” onde postava os looks, relatando como foi a experiência, a reação das pessoas e suas sensações ao usar cada roupa. Essa não foi a primeira “edição” do projeto. No início do ano, ele decidiu ir de saia para a faculdade durante uma semana. “Meu objetivo foi simplesmente quebrar o paradigma de que você tem que ser de determinada forma dependendo do que você quer fazer. As pessoas devem nos olhar e gostar de quem somos, independente de como nos vestimos”, disse.

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“Decidi iniciar o #saiadoquadrado com o visual Funk, por ser um dos mais criticados pelos meus amigos.”
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“Hoje no 2º dia de projeto, tentei homenagear a tribo otakus. (…)Várias pessoas pediram pra tirar foto comigo. Embora eu tenha chamado a atenção, a ideia passou adiante.”
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Em seu Facebook, Arthur fez relatos diários sobre a experiência de usar as roupas, que não são do seu estilo habitual.

Arthur veio de São Paulo para Juiz de Fora há alguns anos e contou que, ao chegar na cidade, reparou uma intolerância da população com relação ao modo de vestir das pessoas – “Sinto olhares tortos apenas por andar de chinelo”. A partir disso ele tomou a iniciativa do projeto, convidando todos a romperem alguns “padrões” da vestimenta. “Quando usei saias, muita gente questionou, perguntou se era alguma religião. Outros pareciam se interessar, as meninas levavam mais na brincadeira.”

Na edição de abril, cerca de dez pessoas embarcaram no “Saia do Quadrado”. Pessoas que inovaram o visual de alguma forma. Isabelly Coelho foi uma delas. Ela se sentiu motivada a usar seus vestidos longos e estampados e a assumir elementos da cultura negra em seu visual, como o turbante.

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Arthur e Isabelly

No dia em que nos encontramos, Arthur usava uma blusa com estampa de inspiração indiana, calça estampada e sandálias. Segundo ele, era o dia com o tema “Hippie brasileiro”. Regras e definições à parte, o mais interessante no projeto não eram as roupas que ele usava, mas sim a atitude de usá-las. A escolha de romper a rotina do vestir, se propor a encarar o novo e passar pela experiência de brincar de ser uma pessoa diferente a cada visual. Da mesma forma, é uma forma de encorajamento: vamos usar o que queremos usar, e comunicar nossas ideias por meio dos cortes, tecidos, estampas e acessórios. Por mais que por dentro possamos ser os mesmos, as roupas que vestimos produzem significados e transmitem diferentes mensagens.

Por fim, fica o conselho: Sair do quadrado faz bem e é necessário.

O inverno chegou!

O inverno começou nessa semana, mas a verdade é que os dias mais frios do ano chegaram bem antes da estação. Nas últimas semanas eu usei gorro, luva, três blusas quentes e ainda assim tremi de frio. Em meio a muitas oscilações da temperatura, cheguei a quase acreditar que fosse nevar na minha cidade (e olha que Juiz de Fora fica bem perto do Rio haha). Bom, é fato que com a chegada de uma nova estação, vem sempre aquela “necessidade” de renovar o guarda-roupas. “Necessidade” entre aspas sim, porque você acha que precisa de um casaco novo, mesmo já tendo outros que te servem muito bem. Esse aqui é o meu “Guia para uma moda consciente no inverno”. Para que a nova estação chegue também com novos hábitos.

1. Aproveite o que você já tem

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A primeira etapa para evitar o consumo desnecessário é entender o que você já tem. Organize seu armário. Você precisa de uma bota nova ou isso é um desejo? Separe as roupas que não te agradam mais. Seu suéter está realmente velho ou você apenas se cansou dele? Procure dicas de customização na internet e experimente mudar a cara de algumas peças de roupa. Se depois de avaliar seu guarda-roupas você ainda sentir falta de algumas peças específicas, ou se seu desejo permanecer, passe para a próxima etapa.

2. Pesquise

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Certo, você decidiu ir às compras. Determine o que quer que entre no seu guarda-roupas e quanto pretende investir nisso. Para um consumo consciente, é preciso procurar entender de onde vem a peça que você está comprando. Você sabe quem fez? O preço parece justo? Algum animal sofreu para que a sua bota fosse confeccionada? Aqui no blog tem um post a respeito da mão-de-obra escrava que é usada em muitas marcas de roupa. Dá uma olhada: Quem faz as suas roupas?

3. Invista no que você vai usar por muito tempo

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É preciso levar em consideração se a peça é uma tendência de moda passageira ou se é algo que você tem certeza que poderá usar por mais tempo. Se é uma tendência, você está assumindo o risco de ter uma roupa que não sabe se vai continuar gostando daqui a um tempo. Por outro lado, algumas “tendências” sempre voltam, assim como algumas preferências de estilo costumam permanecer com a gente. Se você vai investir em uma peça mais cara, recomendo pensar em tudo isso. Nosso gosto pessoal é influenciado pelo que está “em alta” no momento –  a moda seduz sim, mas tem várias coisas a se levar em consideração: o seu estilo se encaixa com essa tendência? A peça combina com o seu armário?

4 – Doe

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Sabe a organização que você fez no seu armário? Além de servir para descobrir que você tem muito mais roupas do que imagina, serve também para você perceber que tem muitas roupas que não usa. Por mais que alguma peça esteja em perfeito estado, pode ser que ela não combine tanto com as suas outras roupas, ou não se encaixa mais no seu estilo. Talvez você tenha comprado no impulso acreditando que usaria, mas ela está lá, apenas ocupando espaço. Mas atenção: JAMAIS jogue uma roupa no lixo: DOE. Tem sempre alguém precisando, principalmente nessa época de frio. Várias campanhas do agasalho acontecem devido ao inverno. Em uma busca rápida é possível encontrar um ponto de arrecadação próximo a você.

5 – Faça um bom chocolate quente

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Um feliz e aconchegante inverno pra você! ❤

Obrigada pela visita.

 

Audrey Hepburn e eu

Hoje é dia 4 de maio. Um dia especial por um monte de motivos, pelo menos pra mim. Hoje é o dia do Star Wars, porque “may the 4th” faz referência àquela famosa frase da saga: “May the force be with you”. E hoje também é dia do aniversário da Audrey Hepburn. Se estivesse viva, ela completaria 87 anos.

“Conheci” a Audrey lá em 2008, lendo os livros da coleção Gossip Girl, de Cecily Von Ziegesar. Uma das personagens principais, Blair Waldorf, era a maior fã dela e sempre pensava no que a personagem Holly Golightly faria, em todas as situações de sua vida. Holly, do filme Bonequinha de Luxo (1961), é a personagem mais famosa de Audrey.

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Acontece que aquela série de livros adolescentes (completamente fútil e viciante, risos) despertou minha curiosidade para ver esse tal filme, que começa com Holly (Audrey) tomando café na frente da joalheria Tiffany’s. Me apaixonei. Pelos figurinos, a história, a trilha sonora, elenco, cenários. Logo procurei mais filmes protagonizados por Audrey, que passou a ser minha atriz favorita também. Eu e Blair não estamos sozinhas. Em 1953, Audrey teve o seu primeiro papel de destaque no cinema, em “A Princesa e o Plebeu“, o que rendeu a ela um Oscar de melhor atriz. Dali em diante, despertou o encanto do mundo, conquistando fãs até hoje.

A atriz virou estrela, ícone, mito. Seu estilo se tornou referência no mundo da moda. Desde o início da carreira, ela firmou uma parceria praticamente vitalícia e uma grande amizade com o estilista Hubert de Givenchy, iluminando as telas com graciosidade e elegância.

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Audrey e Givenchy ❤

Na faculdade de Design de moda, o meu trabalho de conclusão de curso teve como título “Audrey Hepburn –  do cinema para a moda”. Estudei o figurino de 4 filmes (Sabrina, My Fair Lady, Bonequinha de Luxo e Cinderela em Paris), relacionando-os com a personalidade e o estilo pessoal de Audrey. O mais enriquecedor dessa experiência foi me “aproximar” ainda mais dessa pessoa que eu já admirava a tempos. Em meio a dezenas de livros e artigos, descobri uma grande beleza além das roupas e filmes: a simplicidade e o caráter da “Bonequinha” de Hollywood foram os seus grandes diferenciais.

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Embaixadora da UNICEF desde 1989, Hepburn deixou a carreira de atriz para se dedicar à missões para Etiópia, Somália, Quênia entre outros lugares, ajudando a chamar atenção para o combate à fome. Passou a dar muitas entrevistas contando sobre seu trabalho humanitário, que persistiu até o fim de sua vida. A perdemos para um câncer em 1993.

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 A história de Audrey é inspiradora e bonita. Vale a pena procurar biografias (indico: Quinta Avenida – 5 da manhã e Audrey Style).

Para finalizar, um poema escrito por Sam Levenson e atribuído à Audrey, que o leu durante um evento da UNICEF:

Dicas de beleza testadas pelo tempo

Para ter lábios atraentes, diga palavras doces.
Para ter olhos belos, procure ver o lado bom das pessoas.
Para ter um corpo esguio, divida a sua comida com os famintos.
Para ter cabelos bonitos, deixe uma criança passar seus dedos por eles pelo menos uma vez por dia.
Para ter boa postura, caminhe com a certeza de que nunca andará sozinho.
Pessoas, muito mais que coisas, devem ser restauradas, revividas, resgatadas e redimidas; jamais jogue alguém fora.
Lembre-se de que, se alguma vez precisar de uma mão amiga, você a encontrará no final do seu braço.
Ao ficarmos mais velhos, descobrimos porque temos duas mãos: uma é para ajudar a nós mesmos, a outra é para ajudar o próximo.
A beleza de uma mulher não está nas roupas que ela veste, na imagem que carrega, ou na forma como penteia o cabelo.
A beleza de uma mulher deve ser vista em seus olhos, porque eles são a porta para seu coração, o lugar onde o amor reside.
A beleza de uma mulher não está em uma expressão facial, pois a verdadeira beleza de uma mulher está refletida em sua alma.
Está no carinho que ela amorosamente dá, na paixão que ela demonstra – e a beleza da mulher, com o passar dos anos, apenas cresce!

 

 

Fashion Revolution

No dia 24 de abril de 2013, aconteceu uma tragédia em Bangladesh. O edifício Rana Plaza, que abrigava diversas confecções de roupa, muitas de produção em larga escala para marcas globais, desabou, causando a morte de 1133 trabalhadores e deixando outros 2500 feridos. A partir dessa data, duas ativistas e designers pioneiras em moda sustentável, Carry Somers e Orsola de Castro, criaram o movimento Fashion Revolution, tornando o dia 24 de abril o Fashion Revolution Day.

Logo a campanha se espalhou pelo o mundo, e hoje une mais de 80 países com o objetivo de mostrar à todos os impactos socioambientais dos processos de produção das roupas, desde a extração da matéria-prima até o consumo. O movimento global Fashion Revolution acredita em uma indústria da moda que valoriza e respeita as pessoas, preserva o meio-ambiente, promove criatividade e inovação e distribui riquezas em medidas justas. Para isso, sua missão é sensibilizar e conscientizar a sociedade.

Nesse mês acontece a terceira celebração do Fashion Revolution Day. Aqui no Brasil, eventos estão programados para Belo Horizonte, Rio de Janeiro, NiteróiSão Paulo, São José dos CamposCuiabá, entre outras cidades.

Estamos preparando um dia de revolução fashion em Juiz de Fora e convidamos você a se juntar a nós. Separe as roupas que você não usa mais e aguarde o nosso piquenique no dia 30 de abril, no campus da UFJF. Teremos bazar de trocas, oficina de customização e muito bate-papo.

Além de eventos físicos, a campanha do Fashion Revolution acontece nas mídias sociais. Você pode participar postando uma selfie com a etiqueta de sua roupa aparecendo e na legenda, a pergunta: “Quem fez minhas roupas?”. Use a hashtag oficial  #whomademyclothes e as adicionais #fashrev e  #quemfezminhasroupas.

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Se você tem alguma ideia para o nosso evento em JF e acredita que pode contribuir de alguma forma, mande um e-mail para: isabelamag@hotmail.com

Para maiores informações:

Fashion Revolution Brasil

Agradecimento super especial à Ana Luiza Siqueira, Ana Mansur, Luana Braz, Gabriela Vázquez, Patrícia Aragão e Paula Filgueiras, que estão embarcando na revolução comigo.

Junte-se a nós!  ❤

5 Livros para começar a estudar moda

Ao fim do ano de 2009, eu começava a perceber que as minhas Revistas Capricho já não me satisfaziam mais: era hora de ir um pouco além na minha busca por informação de moda. No natal daquele ano, eu não troquei o meu Cartão Saraiva por um livro de romance, eu troquei por um livro sobre moda. Posso dizer que As 100+ foi um divisor de águas na minha vida, hahaha. Três anos mais tarde, eu rompi as fronteiras das bancas e livrarias e fui para a faculdade de moda.

Hoje eu passeei pela minha estante em busca de livros queridinhos e que servem tanto para quem é como a Isabela de 2009, que tem vontade de ler um pouco sobre moda por simples curiosidade e interesse, ou para a Isabela-três-anos-mais-tarde, e que está de fato começando a estudar moda.

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1- As 100 +, Nina Garcia: O primeiro da lista é o primeiro livro de moda da minha vida. Não sei se está aqui por mérito ou por questões afetivas mesmo. Minha opinião sobre ele mudou um pouco durante os anos, junto com a minha mudança de olhar sobre a moda. Mas é um guia bem completo. Nele, Nina Garcia lista os 100 itens de moda que “toda mulher fashion deve conhecer”. É um livro que estimula o consumo, portanto deve-se ter senso crítico para filtrar as informações que ele apresenta. O bacana dele é a linguagem fácil e informal, e também as explicações e história de cada item. Bônus: As ilustrações de Rubem Toledo são lindas.

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2 – O Livro Negro do Estilo, Nina Garcia: Da mesma autora de As 100 +, O livro Negro do Estilo é um guia prático com as visões de Nina Garcia sobre o que é estilo. Aqui ela mais uma vez direciona sua fala para as mulheres, apesar de ser um livro que poderia apreciado por qualquer pessoa. Com algumas palavras sobre autoconfiança e aceitação, o livro tem um objetivo bem diferente do primeiro. Aqui ela diz que menos é mais e que o mais importante na hora de se vestir é se conhecer e entender que não é o dinheiro que o fará se vestir bem. O capítulo três é o mais legal. Nesse, ela relaciona: estilo e cinema, moda e música, moda e viagem, e moda e arte. Minha parte favorita é o guia de filmes de diferentes épocas, para assistir observando o figurino. ❤

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3 – Um Século de Moda, João Braga: O livro “Um século de moda”, de João Braga, é um dos livros mais sucintos do autor. Indicado para qualquer pessoa interessada em história e história da moda, cada página da obra fala sobre um ano do século XX e um acontecimento daquele respectivo ano, com relação à moda.  São curiosidades de leitura rápida e que podem despertar no leitor o interesse em procurar saber mais sobre cada tópico abordado.

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4 – A Roupa e a Moda, James Laver: Para quem quer entender um pouco mais a história da moda, desde o início até os anos 1980, eu indico o primeiro livro que comprei ao começar a faculdade de moda. Com uma narrativa breve, A Roupa e a Moda, de James Laver, é rico em imagens e nos faz mergulhar por toda a história do vestuário.

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5 – Tudo Sobre Moda, Marnie Fogg: Se até agora citei livros breves e resumidos, aqui temos 557 páginas recheadas com muita informação de moda. Também aborda os assuntos de forma sucinta, mas é o que tem uma maior variedade de temas. Ícones da moda, estilos, épocas históricas, movimentos: de tudo um pouco. De todos dessa lista, sem dúvidas é o meu favorito. Se você quer investir em um livro de moda, pode começar por ele.

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Tentei fazer uma lista com livros bem práticos, para quem quer entender um pouquinho mais sobre esse universo da moda e da história da moda. Futuramente trarei mais dicas de livros para quem desejar aprofundar-se nesses estudos. ❤

Muito obrigada pela visita!

Batendo um papo com João Braga

Ontem, no Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM), aconteceu o lançamento do novo livro de João Braga. Tenho Dito – histórias e reflexões de moda é uma compilação de 15 artigos escritos entre 2007 e 2014 para revista “d’Obras[s]”, apresentando novas perspectivas sobre a moda, em diferentes aspectos.

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João Braga é formado em Artes Plásticas e Educação Artística pela UFJF, pós-graduado em História da Indumentária pelo Instituto Paulista de Museologia, mestre em História da Ciência pela PUC-SP e especialista em História da Moda pela ESMOD de Paris. É autor de mais de 10 livros, individualmente ou em coautoria, com temas relacionados à moda, história e cultura. Atualmente dá aulas em faculdades como FAAP e Santa Marcelina. Além disso, é articulista da revista “L’Officiel Brasil”.

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O lançamento em Juiz de Fora do livro Tenho Dito contou com uma palestra enriquecedora. Falando um pouco sobre cada artigo da obra, com bom humor e muitas curiosidades históricas, João Braga manteve a platéia atenta e interessada. O público contava com muitos estudantes e professores de moda, que apesar de terem contato com a história da moda no dia-a-dia, sem dúvidas aprenderam muito durante a fala de João Braga. Logo que a palestra acabou, os livros esgotaram rapidamente e uma fila se formou com pessoas que queriam levar para casa o autógrafo do mestre.

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Esperei a sessão de abraços, fotos e autógrafos acabar para fazer algumas perguntas ao autor, que me recebeu de prontidão.

Como foi o processo da produção do livro, a construção e seleção dos artigos? Você tem algum artigo do livro que considera mais importante?

Quando eu comecei a escrever para a Revista D’obras, desde a primeira, nós tínhamos liberdade de escolher qualquer tema relacionado à moda. Como a minha coluna se chamava “História”, o meu viés de análise sempre foi o histórico. Que é o que eu pesquiso, o que eu gosto, o que costumo escrever. Então eu tive uma liberdade muito grande de escrever o que eu quisesse. A não ser na revista nº 9, que foi na época da Copa do Mundo o Brasil, que o tema era alguma coisa relativa a futebol, uniforme, então eu escolhi falar sobre o significado dos brasões. Mas com relação a preferência, eu não sei. Eu faço tudo com tanto carinho e interesse.. Gosto muito do primeiro, que foi sobre a história dos sapatos pontiagudos, sapatos como distinção social. Gosto demais do artigo sobre o Brummel, do da Rose Bertin, enfim… acabo curtindo todos. É difícil escolher um só, gosto dos 15. 

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De onde vem sua motivação para continuar escrevendo sobre a moda? Você já lançou vários livros e continua escrevendo mais, continua pesquisando.

Eu sempre gostei de estudar, sempre gostei de ler. Eu gosto do viés histórico. Fiz faculdade aqui em Juiz de Fora, na federal, fiz dois cursos, desenho plástico e educação artística. Sempre gosto da história. Qualquer viés que seja. História geral, história da arte, história da filosofia, história da moda, e como eu sempre gostei de moda, me enveredei por esse universo e optei por pesquisar essa parte mais teórica. Também gosto de fazer alguma coisa, uma vez que eu fiz um curso relacionado aos fazeres sensíveis de arte, então eu acabo fazendo, geralmente as minhas camisas sou eu que faço, principalmente as de tecido plano. Eu desenho, né, uma costureira faz. Mas eu gosto é do viés histórico, e continuo estudando,  porque nunca vamos saber de tudo. Então eu vou continuar lendo, vou continuar aprendendo, e o que eu puder transformar nisso como multiplicador para outras pessoas, no sentido da minha leitura e reflexão – não que eu seja o dono de uma única verdade, não é isso, mas o fato de eu ser mais velho, já ter lido possivelmente mais do que os jovens, o fato de eu conviver a longa data em uma sala de aula, eu gosto de deixar aí alguma coisa para que sirva de estudo, de pesquisa. Estou tentando fazer alguma coisa que seja no mínimo razoável.

E a história da moda é importante que seja estudada não só para entender a roupa, né? Porque entendendo a história da roupa a gente entende muita coisa além…

Qualquer coisa é importante que se estude. Se a pessoa tem uma familiaridade com a moda e gosta, vamos conhecer esse processo. O que é moda, o que não é, quais são os conceitos que regem esse processo, quando surgiu, como que as referências estéticas, como essa gramática dos diversos estilos deram identidades distintas ao longo dos tempos, enfim. Então tudo é informação, e hoje, uma das características do processo criativo, não a única, mas uma das, é a releitura. Então faz-se necessário você conhecer alguma referência do passado, alguma referência que tenha vindo primeiro ou original, para trazer para o contemporâneo. É fundamental que se conheça história. A pessoas acham que história é só passado. Não. História significa investigação. É você fazer um elo desta tríade: passado, presente e futuro. Com o estudo do passado, você pode compreender o presente e até mesmo planejar um futuro melhor. 

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Se interessou pelo livro?

Aqui estão alguns links onde você pode adquirir o seu e se aventurar por essas 15 histórias e reflexões de moda.

Saraiva

Travessa

Estante Virtual

Deixe seu comentário! Ideias e opiniões são sempre bem-vindos. E obrigada pela visita! ❤

Fotos: Guilherme Toledo

Quem faz as suas roupas?

A gente escuta tanto sobre trabalho escravo na moda, que nem nos espantamos tanto quando descobrimos que mais uma marca x super famosa foi denunciada por isso. Essa forma desumana de trabalho está presente  em algumas marcas de luxo e, infelizmente, chega a ser comum nas marcas de fast fashion, que têm como objetivo a produção rápida e barata. Aí é que está o problema: a praticidade e a economia atraem os consumidores, fazendo essas marcas crescerem cada vez mais.

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Fábrica da Zara – Fonte: Revista L’Officiel Brasil

Apesar de muitas denúncias, a indústria da moda é tão grande que muitas vezes foge do nosso alcance conhecer tudo o que está por trás das grandes marcas. De acordo com um artigo de Renato Cunha (Stylo Urbano), “Muitas das grandes marcas de moda e outras empresas não têm controle total sobre suas cadeias de fornecimento, tornando assim as práticas de trabalho ilegais possíveis. Grande parte do trabalho feito para fabricar uma coleção de roupas é repassado para vários terceirizadores e o rastreamento de todos os passos da matéria-prima até o produto final prova ser bastante difícil, tornando assim as atividades de exploração ilegais passarem despercebidas.”

O que nos cabe é buscar a informação na medida do possível. A partir disso fica a nosso critério decidir se vamos ou não comprar determinado produto.

O coletivo Repórter Brasil criou, em 2013, o aplicativo Moda Livre para facilitar nosso processo de pesquisa. No aplicativo é possível encontrar várias informações sobre diferentes marcas de forma objetiva. Eles avaliam as empresas em três categorias (melhor avaliação, avaliação intermediária e pior avaliação) e apresentam quatro indicadores: Políticas (compromissos assumidos pelas empresas contra o trabalho escravo); monitoramento (medidas de fiscalização das empresas); transparência (ações que comunicam aos clientes o que a empresa faz para combater a escravidão) e histórico (envolvimento das empresas em casos de trabalho escravo).

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App Moda Livre – Fonte: Julia Petit

 

Download do aplicativo: IOS Android

A partir da divulgação de casos de trabalho escravo, algumas empresas têm revisto suas formas de produção. Foi o caso por exemplo da Zara, que depois de sofrer infrações por parte de um de seus fornecedores, que usavam condições de trabalho análogas à escravidão, aderiu ao Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil.

Parar para pensar “de onde vem” ou “quem fez” essa ou aquela peça não é algo que ocorre com a maioria das pessoas. Pode não parecer “cômodo” num primeiro momento, mas sair dessa zona de conforto no seu dia-a-dia o fará entrar em contato com diferentes possibilidades, conhecer novas marcas e novos estilos. Lembre-se que nem só de marcas conhecidas ou de roupas novas se faz um bom look. Não se limite à praticidade da indústria. Os caminhos são muito mais variados do que você imagina. O primeiro passo é a consciência.

Um monte de links pra você se informar melhor:

O que é trabalho escravo

20 marcas que foram denunciadas por trabalho escravo

As marcas denunciadas por trabalho escravo

Zara é denunciada por escravidão na Argentina

Escravidão é flagrada em oficina de costura ligada à Marisa

Renner está envolvida com trabalho escravo

Índice de escravidão global

Como saber se as roupas que você compra provêm de trabalho escravo?

O trabalho escravo moderno na indústria da moda

Zara aposta em um novo modelo de produção para suas roupas