A arte do encontro

Era uma segunda ou quarta-feira. Se encontraram em um café, sorveteria ou padaria com vasos de flor em cima das mesas. Pediram um chocolate quente ou um milk shake de chocolate branco. Prepararam uma peça digna de prêmio de festival.

No início eram só os dois no meio desse palco que você chama de mundo. Ao longo do processo, a história cresceu. Criaram coletivamente muitos momentos inesquecíveis e efêmeros como a arte. Não tinha direção certa e não planejaram o fim. O figurino foi feito com as linhas desfiadas de outras histórias. Costuraram com o máximo de cuidado possível. Compartilharam os guarda-roupas, cheios de memórias de duas jovens vidas inteiras. Se vestiram em abraços que diziam que daria tudo certo. Nos bastidores, ele disse que dividir o palco com ela era um sonho de longa data. Logo ela percebeu que esse sonho também era seu.

A primeira vez em que se viram foi no teatro, anos antes dos muitos roteiros que viveram. Os cenários mudaram, os sonhos também. Ela sabe que ainda tem muita coisa pra ser vista. Muita peça vai entrar e sair de cartaz. Mas a arte que afeta, vai sempre ser lembrada, com todo o carinho de quem já aplaudia muito antes das luzes se apagarem.

– Perdoa esse título clichê e obrigada por ter me encontrado. – Disse isso e tomou o último gole do milk shake, tão doce como foi aquele espetáculo.