Roupa e Memória: Minhas últimas botas de couro

Em 2007, eu usava aquelas botas de camurça com legging e me sentia super bem. Era meu visual chique. Usei essa combinação junto com um vestidinho curto de mangas compridas na festa de 15 anos de uma amiga e não me arrependo. Aquela era eu e eu estava muito confortável. Demorei um tempo até comprar outro par de botas, o que aconteceu em 2010. Na época, não foi fácil encontrar o modelo que eu queria, nas lojas só achava botas cheias de fivelas e tachas. Eu queria um modelo de cano alto, abaixo do joelho, sem salto e sem adornos. Com certo custo, encontrei, em uma loja no shopping, junto com meus pais. Um par de botas de couro legítimo. Não me orgulho, mas também não me arrependo. Aquela era eu e as botas me acompanharam por quase sete anos.

Me tornei vegetariana em 2011. Depois disso, cheguei a comprar alguns itens de couro, apesar de ter passado a observar mais e tomar mais cuidado com o que consumia. Mas eu não compraria outra bota desse tipo. O calçado, apesar de clássico, não acompanhou as tendências que surgiram com o tempo. Todo mundo usou sneakers e bota over-the-knee. Continuei lá, vestindo minhas botinhas com a calça jeans pra dentro. Precisei trocar o solado algumas vezes e perdi a conta de quantas vezes elas tiveram que ser engraxadas. Elas sabem de cor todos os caminhos que eu fiz nesses últimos anos. Só não conheceram meus verões.

Em 2017, eu me despeço delas. Assim que o tempo começou a esfriar, tirei as botas do armário e vesti a velha combinação para ir à aula e ao estágio. O solado descolou pela última vez. Dessa vez foi grave e o couro já estava rasgando. Acho que ela poderia ter durado muito mais, mas confesso que a vida útil dela foi, de fato, bem vivida. Passou por pedra, terra e asfalto. Eu a levei (ou ela me levou?) pra lugares lindos e pra momentos chatos também. O couro com o tempo vai ficando macio, e mais confortável de usar. De calçado “de sair”, se tornou meu look do dia-a-dia. Mas agora, depois de sei lá quantos quilômetros rodados, me despeço da minha última bota de couro.

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Maio de 2017, um de nossos últimos passeios. Terminei de gastá-las bem aí nesse chão de pedras. Foto: Laura Freesz ❤

Meu desafio agora é procurar por calçados verdadeiramente ecológicos, não apenas “sintéticos”. Estou tentando ter hábitos de consumo mais sustentáveis – mesmo que ainda cometa deslizes. Vou aprendendo aos poucos e aplicando mudanças no dia-a-dia. Minhas botas foram feitas a partir da morte de um animal, mas optei por cuidar delas e mantê-las no armário, assim, não senti a “necessidade” de adquirir um novo par, ainda que não fosse feito de couro. Mais do que escolher peças “ecológicas”, antes de tudo é importante saber o que a gente já tem e cuidar desses objetos, porque nem sempre precisamos de outras peças.

 

 

O inverno chegou!

O inverno começou nessa semana, mas a verdade é que os dias mais frios do ano chegaram bem antes da estação. Nas últimas semanas eu usei gorro, luva, três blusas quentes e ainda assim tremi de frio. Em meio a muitas oscilações da temperatura, cheguei a quase acreditar que fosse nevar na minha cidade (e olha que Juiz de Fora fica bem perto do Rio haha). Bom, é fato que com a chegada de uma nova estação, vem sempre aquela “necessidade” de renovar o guarda-roupas. “Necessidade” entre aspas sim, porque você acha que precisa de um casaco novo, mesmo já tendo outros que te servem muito bem. Esse aqui é o meu “Guia para uma moda consciente no inverno”. Para que a nova estação chegue também com novos hábitos.

1. Aproveite o que você já tem

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A primeira etapa para evitar o consumo desnecessário é entender o que você já tem. Organize seu armário. Você precisa de uma bota nova ou isso é um desejo? Separe as roupas que não te agradam mais. Seu suéter está realmente velho ou você apenas se cansou dele? Procure dicas de customização na internet e experimente mudar a cara de algumas peças de roupa. Se depois de avaliar seu guarda-roupas você ainda sentir falta de algumas peças específicas, ou se seu desejo permanecer, passe para a próxima etapa.

2. Pesquise

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Certo, você decidiu ir às compras. Determine o que quer que entre no seu guarda-roupas e quanto pretende investir nisso. Para um consumo consciente, é preciso procurar entender de onde vem a peça que você está comprando. Você sabe quem fez? O preço parece justo? Algum animal sofreu para que a sua bota fosse confeccionada? Aqui no blog tem um post a respeito da mão-de-obra escrava que é usada em muitas marcas de roupa. Dá uma olhada: Quem faz as suas roupas?

3. Invista no que você vai usar por muito tempo

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É preciso levar em consideração se a peça é uma tendência de moda passageira ou se é algo que você tem certeza que poderá usar por mais tempo. Se é uma tendência, você está assumindo o risco de ter uma roupa que não sabe se vai continuar gostando daqui a um tempo. Por outro lado, algumas “tendências” sempre voltam, assim como algumas preferências de estilo costumam permanecer com a gente. Se você vai investir em uma peça mais cara, recomendo pensar em tudo isso. Nosso gosto pessoal é influenciado pelo que está “em alta” no momento –  a moda seduz sim, mas tem várias coisas a se levar em consideração: o seu estilo se encaixa com essa tendência? A peça combina com o seu armário?

4 – Doe

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Sabe a organização que você fez no seu armário? Além de servir para descobrir que você tem muito mais roupas do que imagina, serve também para você perceber que tem muitas roupas que não usa. Por mais que alguma peça esteja em perfeito estado, pode ser que ela não combine tanto com as suas outras roupas, ou não se encaixa mais no seu estilo. Talvez você tenha comprado no impulso acreditando que usaria, mas ela está lá, apenas ocupando espaço. Mas atenção: JAMAIS jogue uma roupa no lixo: DOE. Tem sempre alguém precisando, principalmente nessa época de frio. Várias campanhas do agasalho acontecem devido ao inverno. Em uma busca rápida é possível encontrar um ponto de arrecadação próximo a você.

5 – Faça um bom chocolate quente

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Um feliz e aconchegante inverno pra você! ❤

Obrigada pela visita.