Audrey Hepburn: do cinema para a moda

Quando eu fiz meu TCC de moda lá em 2014, passei por temas diversos até chegar a conclusão de que não existiria melhor tema pra mim, naquele momento. Desde o início da faculdade, a Audrey Hepburn foi minha referência. Não existiria melhor forma de fechar aquele ciclo do que falando da minha atriz favorita de sempre. E meu trabalho de conclusão de curso foi maravilhoso de se fazer. No curso de moda que eu fiz, a gente tem que fazer a parte teórica mas também tem que desenvolver uma mini coleção de roupas. Acho que TCC é complicado pra todo mundo, e dá trabalho mesmo, mas quando você encontra um tema pelo qual é apaixonado, fica tudo mais leve. Confesso que até tenho saudade da época, de quando eu precisei mergulhar fundo na história e nos filmes da Audrey.

Hoje, 4 de maio, é a data em que, há 88 anos, nasceu a eterna Bonequinha de Luxo. Enquanto eu pesquisava para o meu trabalho, 3 anos atrás, aprendi algumas coisas sobre “mitos”: Mitos não morrem, porque continuam sendo lembrados por gerações. A Audrey é um desses mitos criados pela indústria do cinema. Com o estilista Hubert de Givenchy, construiu um estilo atemporal e usou figurinos icônicos. No meu trabalho, falei sobre a influência que o cinema tem para a moda. A criação de figurinos marcantes faz com que o jeito de se vestir de determinada personagem saia das telas e ganhe os guarda-roupas dos espectadores. Além disso, eu analisei o figurino de 4 filmes, compreendendo a mensagem que cada um deles transmitia. Eu sou completamente apaixonada por figurinos, gosto de imaginar como cada roupa foi pensada para ajudar na compreensão das histórias. Nos filmes que eu escolhi, os figurinos são elementos importantíssimos para mostrar a personalidade, transformação e crescimento das personagens.

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Cinderela em Paris (1957)

Em “Bonequinha de Luxo”, as cores usadas em cada look da Holy Golightly combinam com o contexto das cenas. Alguns elementos revelam a excentricidade da Holy, combinada a uma elegância marcante. Já nos filmes Sabrina e Cinderela em Paris, as roupas das personagens no início são discretas, e depois  elas passam por transformações e mudam de estilo. Sabrina passa uma temporada em Paris e volta com um visual mais “adulto”, já a Jo, de Cinderela em Paris, começa o filme como uma discreta vendedora de livros e termina como uma top model, com looks escolhidos pela equipe da revista na qual ela vai trabalhar. Em My Fair Lady, a Audrey interpreta a Eliza, uma florista humilde que é usada como parte de uma aposta e recebe aulas de etiqueta. Assim, passa a se vestir como uma moça “da alta sociedade”.  Não entrarei em detalhes sobre cada história, porque acredito que vale muito a pena assistir cada um desses filmes.

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Bonequinha de Luxo (1961)

Das pesquisas feitas, surgiu a coleção “Audrey Hepburn: Do cinema para a moda”, trabalho que guardo com muito orgulho e carinho. Tive a ajuda de pessoas muito importantes, que fizeram o caminho do TCC ser ainda mais especial: Minha família, meu orientador Fred Simão e minhas amigas (5 delas, inclusive, toparam ser as minhas “Audreys” na passarela, deixando o desfile e as roupas ainda mais bonitos <3). O resultado tá nesses registros aí embaixo 🙂

 

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Amanda Miranda, look inspirado em Cinderela em Paris. Foto: Débora Agostini

Mesmo com os desafios, a coleção foi uma delícia de executar. Minha parte favorita foram as estampas: cada uma tem elementos simples que falam sobre os filmes que representam. 🙂 Decidi revisitar a coleção neste post como uma forma de homenagear o meu ícone de estilo favorito. Essa não é a primeira vez que falo sobre a Audrey por aqui: no ano passado eu contei um pouco sobre a história dela aqui.

Fiquem com uma das minhas cenas favoritas da vida ❤ :

Ela estava nas cores

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Aventuras e experiências mudam a gente, nos fazem aprender, crescer, transcender. De um passeio diferente, voltamos com novidades na bagagem e talvez uma ou outra peça de roupa ou acessório que vai compor uma nova versão de nós mesmos. Nessa nova versão, não descartamos o que fomos um dia, mas somamos, testamos novas combinações. A nossa essência é aquilo que permanece, mesmo depois de muitas mudanças. É o que nossa alma continua gritando.

Ela gostava de camisetas estampadas e batons cintilantes, envolvendo um sorriso descomprometido que não precisava agradar ninguém para existir. Seu guarda-roupas era alegre, saias longas e floridas e muitos acessórios. Gostava de penteados: fazia um rabo de cavalo e prendia com um lenço, fazendo um nó que chamava a atenção por onde passava. Quando ele apareceu, ela estava assim, com os detalhes que exalavam não só sua personalidade, mas também suas histórias.

Um esmalte descascando entregava a correria que foi a última semana, emendando uma viagem na outra. Nem deu tempo de marcar salão. A pulseira da mão esquerda foi comprada há alguns dias, em uma barraquinha de rua. As sandálias, sem salto, são iguais às que sua cantora favorita gostava de usar. O lenço florido enfeitava os cabelos, como um grande e colorido laço. No primeiro mês, ele disse que não ligava pro esmalte descascando (afinal, ele nem gostava daquela cor).

Comprou um batom novo no segundo mês, mas decidiu guardar. Ele preferia um tom mais discreto. No terceiro mês, ela vendeu os ingressos do show da cantora favorita –  ele não gostava daquele ritmo. Em uma noite de domingo, depois que ele foi dormir, ela foi no banheiro e passou o batom novo. Era roxo e combinava com um de seus lenços. No dia seguinte, durante o almoço, ela usou um batom cor de boca, mas foi de lenço. Ele disse que ela ficaria mais elegante se tirasse o lenço da cabeça e o enrolasse no pescoço. Com o passar dos meses, as saias perderam as estampas e o volume do cabelo diminuiu: ele preferia escovado e sem as mechas azuis.

Ele era como uma das muitas aventuras que ela viveu. A diferença é que ao invés de colorir, ele a desbotava. Desbotar a essência de alguém é algo imperdoável. Interferir no colorido de uma pessoa é interferir em quem ela é. Isso se aplica aos sonhos que ela tem, à forma como sorri, às estampas que escolhe e até ao esmalte cor-de-rosa que ela gostava de usar.

Cultivando modinhas?

A moda é tão maluca que consegue influenciar até as plantas que a gente escolhe.

Admita: você também está apaixonado pelas suculentas e cactos.

Alguns dias atrás eu visitei uma feira de flores aqui em Juiz de Fora – a Feira de Flores de Holambra ❤ – e me vi maravilhada com uma parte específica: a mesa das suculentas e cactos (muitos vasinhos, muitos!). Depois de um tempão hipnotizada com aquelas belezinhas eu escolhi duas para levar para casa. Agora eu sou oficialmente parte da “geração Pinterest”.  Brincadeiras à parte, eu acho muito louco essa coisa de todo mundo começar a amar uma mesma coisa ao mesmo tempo. E não é como se a gente fizesse de propósito, poxa, eu gostei de verdade das plantinhas. Mas a grande questão é: por quanto tempo eu fui seduzida até começar a amar essas coisinhas? Elas dominaram a internet e principalmente o Pinterest e o Instagram.

Claro, muita gente já gostava dessas plantas bem antes de se tornarem moda, até por serem mais fáceis de cuidar e, de fato, lindas. Mas acontece que agora elas estão mais presentes do que nunca, em todo lugar: Além de serem item indispensável nas decorações mais descoladas, os cactos e as suculentas viraram estampa de camiseta, patches, tatuagem, chaveiro, capinha de celular, quadro, caneca, luminária, caixinha… O fenômeno estourou no ano passado, mas segue firme e forte, enfeitando toda a internet.

Moda é isso aí: a gente pode até fugir, se fazer de diferentão, mas quando menos esperamos o bichinho da tendência nos morde. E não dá pra negar: todo mundo está sujeito. A questão é não sair consumindo loucamente tudo que nos é “imposto”, ou deixar se levar com a onda e depois se arrepender. Por exemplo: comprei as suculentas, ok. Agora é minha responsabilidade cuidar delas, mesmo se a modinha passar*. Da mesma forma, antes de comprar qualquer coisa que está “em alta”, precisamos reconhecer que é uma tendência e que pode sim ser um amor passageiro – a plantinha pode até morrer (pode não, tá?) mas as roupas e outros objetos vão ficar um tempão existindo no mundo  – então, pode amar tudo o que você quiser amar, mas saiba que pode ser uma cilada (eu juro que isso não é uma metáfora, hehe) . Se o que está na moda se encaixa com o seu estilo e a sua personalidade, o risco da cilada é menor, afinal, você tem a chance de adquirir algo que vai gostar por mais tempo.  

Não tem problema em cultivar modinhas, isso sempre aconteceu e vai continuar acontecendo. Deixo apenas a reflexão: até que ponto a moda influencia os nossos gostos?

(E sim, elas são lindas mesmo, eu sei…)

Para quem foi influenciado por esse post:

* Dicas de como cuidar das suas plantinhas: aqui, aqui e aqui!

Obrigada pela visita ❤

Desfile: XIV Sonhos e Devaneios

É muito bonito acompanhar o crescimento de um curso, e, mais ainda, visualizar sonhos se concretizarem na forma de roupas e acessórios. Assim são os desfiles “Sonhos e Devaneios” para mim. O evento de conclusão de semestre e curso das turmas de Design de Moda do CES JF acontece duas vezes ao ano, e, de quatorze edições, eu tive a felicidade de estar presente em nove.

Aqui, eu conto um pouquinho sobre cada parte do XIV Sonhos e Devaneios, que aconteceu no sábado passado, dia 2 de julho, no Campus Academia.

❤ De volta à casa

Depois de três anos no estacionamento do Independência Shopping, o evento retornou ao Campus Academia, com uma novidade especial: paralelo ao desfile, rolou um Show Room com algumas marcas dos alunos e ex-alunos. Uma ótima oportunidade para conhecer de perto quem está fazendo a moda acontecer em Juiz de Fora ❤

O novo local possibilitou uma estrutura mais confortável para a plateia. Além disso, a iluminação favoreceu ainda mais os detalhes das peças desfiladas. O cenário era simples, apenas as luzes e a passarela, que dessa vez foi montada no formato “T”, aumentando o percurso das modelos. A duração do evento foi maior devido à esse aumento do percurso, somado aos vídeos de introdução de cada parte do desfile. Antes dos desfiles do primeiro, terceiro e quinto período, o telão exibia entrevistas com os professores do curso, que explicaram um pouco sobre o processo de criação dos projetos.

❤ Moda e gênero

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Uma das questões levantadas pelo “XIV Sonhos e Devaneios” foi o debate sobre moda e gênero, que vem ganhando cada vez mais força nos últimos tempos. O vídeo de abertura apresentou o artista Nino,  perfomando a Drag Queen. A introdução do tema foi feita um mês antes do evento, no lançamento da campanha de divulgação do desfile, e quando alunos e ex alunos assistiram ao Documentário “Femmenino”, que mostra a cena Drag Juiz Forana, e, em seguida, participaram de um bate-papo sobre o assunto.

Nino fez participações no evento, entregando o prêmio Marcelo Mostaro e desfilando na passarela ao final da ocasião.

 

❤ Primeiro desfile:

o primeiro desfile, “Desconstruções Estéticas de Picasso e Pugh” abordou os temas: Pablo Picasso e o designer Gareth Pugh. Os alunos do primeiro período desenvolveram as peças em algodão cru, e o tecido foi tingido, bordado e estampado por eles.

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O primeiro período é a fase em que os estudantes são motivados a soltar a criatividade, de todas as formas possíveis. O desfile é mais conceitual, e, apesar das peças serem desenvolvidas por designers iniciantes, é rico em beleza e capricho.

❤ Segundo desfile:

Com o tema “Loucura Glam”, o segundo desfile apresentou peças feitas com malha. As estampas presentes nas peças foram selecionadas entre diversas estampas que os alunos desenvolveram no período. No vídeo introdutório, foi destacado que o terceiro período, que corresponde o terceiro desfile, é crucial para os alunos, por ser o momento em que eles desenvolvem sua marca, que será usada nos próximos períodos e no TCC. Assim, cada um procura colocar sua “identidade” de marca na passarela.

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❤ Novos designers: as mini coleções de conclusão de curso

A última parte dos “Sonhos e Devaneios” é guardada para os formandos. Os vinte(!!!!) novos Designers desfilaram suas mini-coleções, cada uma com cinco looks.

Os temas desse semestre estavam super variados, e entre as novidades que chamaram a atenção estavam os trabalhos de elaboração de figurino.

A designer Ághata de Freitas Coutinho trouxe uma reconstrução do figurino do “Cortejo: Sonho de Uma Noite de Verão”, da Cia. Academia, na coleção intitulada: “Quando Shakespeare se veste para um cortejo mineiro: Um diálogo entre designer e ator”. O momento foi de muita descontração e aplausos animados: O elenco participou do desfile, cantando algumas canções do Cortejo.

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Maria Andreza Barbosa apresentou uma coleção de lingerie: “Entre rabiscos e guitarras: A década de 1950 sob o olhar da rebeldia”.

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Inspirada no universo de Alice no País das Maravilhas e na Op Art, Larissa Almeida de Oliveira elaborou uma coleção ousada e colorida, com estampas e bordados que remetem aos efeitos das drogas alucinógenas.

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Dono dos flashes mais badalados do mundo da moda atual, o fotógrafo Mário Testino foi uma das referências para a coleção de Gabriela dos Santos Rodrigues, que elaborou a coleção “Olhares sobre Grace Coddinton e Mario Testino: A produção de moda no contexto da imagem revelado”.

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O momento romântico ficou por conta da designer Rachel Cruz e Silva, que se inspirou no clássico “A Bela e a Fera”e arrancou muitos suspiros da platéia. ❤ ❤

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O grande destaque da noite foi o trabalho da aluna Mariana Ferreira, a coleção “O artesão revisitado: No luxo de Denner Pamplona e na originalidade da Oficina de Agosto”. Mariana ganhou o Prêmio Arpel, e sua coleção ficará exposta na vitrine da loja por uma semana.

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Fiz muitas outras fotos no evento, e sem dúvidas teve muito mais coisa legal além do que comentei aqui. Mas, para o post não ficar tãaao extenso, deixei todas as outras fotos no meu Flickr. >  Veja tudo aqui!

No final do ano tem mais, e eu recomendo que todos aproveitem a oportunidade de prestigiar os “Sonhos e Devaneios” e de se inspirar na criatividade desses novos designers. ❤

Obrigada pela visita!

 

 

Sair do quadrado é preciso

Esse post está bem atrasado, mas eu precisava escrevê-lo com carinho.  Em abril passado, entrevistei um amigo que iniciou um projeto pessoal muito bacana. “Saia do Quadrado” é o nome que Arthur Bozzon escolheu para sua ação: passar uma semana inteira usando roupas de estilos diferentes, fugindo do “padrão” ou usando peças que ele não usaria no dia-a-dia. E convidou mais pessoas para fazerem o mesmo.

Entre os dias 25 e 29 de abril, ele, que é estudante de engenharia, fez de seu Facebook uma espécie de “Diário” onde postava os looks, relatando como foi a experiência, a reação das pessoas e suas sensações ao usar cada roupa. Essa não foi a primeira “edição” do projeto. No início do ano, ele decidiu ir de saia para a faculdade durante uma semana. “Meu objetivo foi simplesmente quebrar o paradigma de que você tem que ser de determinada forma dependendo do que você quer fazer. As pessoas devem nos olhar e gostar de quem somos, independente de como nos vestimos”, disse.

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“Decidi iniciar o #saiadoquadrado com o visual Funk, por ser um dos mais criticados pelos meus amigos.”
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“Hoje no 2º dia de projeto, tentei homenagear a tribo otakus. (…)Várias pessoas pediram pra tirar foto comigo. Embora eu tenha chamado a atenção, a ideia passou adiante.”
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Em seu Facebook, Arthur fez relatos diários sobre a experiência de usar as roupas, que não são do seu estilo habitual.

Arthur veio de São Paulo para Juiz de Fora há alguns anos e contou que, ao chegar na cidade, reparou uma intolerância da população com relação ao modo de vestir das pessoas – “Sinto olhares tortos apenas por andar de chinelo”. A partir disso ele tomou a iniciativa do projeto, convidando todos a romperem alguns “padrões” da vestimenta. “Quando usei saias, muita gente questionou, perguntou se era alguma religião. Outros pareciam se interessar, as meninas levavam mais na brincadeira.”

Na edição de abril, cerca de dez pessoas embarcaram no “Saia do Quadrado”. Pessoas que inovaram o visual de alguma forma. Isabelly Coelho foi uma delas. Ela se sentiu motivada a usar seus vestidos longos e estampados e a assumir elementos da cultura negra em seu visual, como o turbante.

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Arthur e Isabelly

No dia em que nos encontramos, Arthur usava uma blusa com estampa de inspiração indiana, calça estampada e sandálias. Segundo ele, era o dia com o tema “Hippie brasileiro”. Regras e definições à parte, o mais interessante no projeto não eram as roupas que ele usava, mas sim a atitude de usá-las. A escolha de romper a rotina do vestir, se propor a encarar o novo e passar pela experiência de brincar de ser uma pessoa diferente a cada visual. Da mesma forma, é uma forma de encorajamento: vamos usar o que queremos usar, e comunicar nossas ideias por meio dos cortes, tecidos, estampas e acessórios. Por mais que por dentro possamos ser os mesmos, as roupas que vestimos produzem significados e transmitem diferentes mensagens.

Por fim, fica o conselho: Sair do quadrado faz bem e é necessário.

O inverno chegou!

O inverno começou nessa semana, mas a verdade é que os dias mais frios do ano chegaram bem antes da estação. Nas últimas semanas eu usei gorro, luva, três blusas quentes e ainda assim tremi de frio. Em meio a muitas oscilações da temperatura, cheguei a quase acreditar que fosse nevar na minha cidade (e olha que Juiz de Fora fica bem perto do Rio haha). Bom, é fato que com a chegada de uma nova estação, vem sempre aquela “necessidade” de renovar o guarda-roupas. “Necessidade” entre aspas sim, porque você acha que precisa de um casaco novo, mesmo já tendo outros que te servem muito bem. Esse aqui é o meu “Guia para uma moda consciente no inverno”. Para que a nova estação chegue também com novos hábitos.

1. Aproveite o que você já tem

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A primeira etapa para evitar o consumo desnecessário é entender o que você já tem. Organize seu armário. Você precisa de uma bota nova ou isso é um desejo? Separe as roupas que não te agradam mais. Seu suéter está realmente velho ou você apenas se cansou dele? Procure dicas de customização na internet e experimente mudar a cara de algumas peças de roupa. Se depois de avaliar seu guarda-roupas você ainda sentir falta de algumas peças específicas, ou se seu desejo permanecer, passe para a próxima etapa.

2. Pesquise

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Certo, você decidiu ir às compras. Determine o que quer que entre no seu guarda-roupas e quanto pretende investir nisso. Para um consumo consciente, é preciso procurar entender de onde vem a peça que você está comprando. Você sabe quem fez? O preço parece justo? Algum animal sofreu para que a sua bota fosse confeccionada? Aqui no blog tem um post a respeito da mão-de-obra escrava que é usada em muitas marcas de roupa. Dá uma olhada: Quem faz as suas roupas?

3. Invista no que você vai usar por muito tempo

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É preciso levar em consideração se a peça é uma tendência de moda passageira ou se é algo que você tem certeza que poderá usar por mais tempo. Se é uma tendência, você está assumindo o risco de ter uma roupa que não sabe se vai continuar gostando daqui a um tempo. Por outro lado, algumas “tendências” sempre voltam, assim como algumas preferências de estilo costumam permanecer com a gente. Se você vai investir em uma peça mais cara, recomendo pensar em tudo isso. Nosso gosto pessoal é influenciado pelo que está “em alta” no momento –  a moda seduz sim, mas tem várias coisas a se levar em consideração: o seu estilo se encaixa com essa tendência? A peça combina com o seu armário?

4 – Doe

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Sabe a organização que você fez no seu armário? Além de servir para descobrir que você tem muito mais roupas do que imagina, serve também para você perceber que tem muitas roupas que não usa. Por mais que alguma peça esteja em perfeito estado, pode ser que ela não combine tanto com as suas outras roupas, ou não se encaixa mais no seu estilo. Talvez você tenha comprado no impulso acreditando que usaria, mas ela está lá, apenas ocupando espaço. Mas atenção: JAMAIS jogue uma roupa no lixo: DOE. Tem sempre alguém precisando, principalmente nessa época de frio. Várias campanhas do agasalho acontecem devido ao inverno. Em uma busca rápida é possível encontrar um ponto de arrecadação próximo a você.

5 – Faça um bom chocolate quente

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Um feliz e aconchegante inverno pra você! ❤

Obrigada pela visita.

 

As cores de Louisa Clark

No último final de semana eu fui ao cinema assistir “Como eu era antes de você”, que estreia oficialmente nos cinemas nessa quinta-feira. O filme, baseado no best-seller de Jojo Moyes, é gostosinho de assistir e tem uma história bonita, mas o que me deixou mais empolgada do início ao fim foi o figurino da Louisa Clark, a protagonista, que é lindamente interpretada por Emilia Clarke (moça de Game Of Thrones).

Louisa Clark é uma mulher de 26 anos sem grandes ambições na vida. Mora com a família, trabalha em um café, tem um namorado um tanto desatento e parece ser bem feliz e satisfeita. Daí ela perde o emprego e consegue um trabalho na casa do Will Trainor. Eu tenho um pouco de problema com dar spoiler sem querer, então não vou entrar em detalhes. Mas você precisa saber que esse Will é um cara muito rico e carregado de acidez. Estou omitindo coisas que aparecem no próprio trailer porque eu fui assistir sem saber de nadinha e quero que você tenha uma experiência parecida (A não ser que você tenha lido o livro, né.) Enfim, vá ao cinema. (Trailer aqui.)

A principal surpresa (pelo menos pra mim) eu vou estragar: o figurino da Louisa. Me encantou logo na primeira cena em que aparece: uma meia-calça mostarda usada junto com uma sandália de salto-alto colorida. Eu juro que no dia seguinte ao que eu vi o filme, fui ao shopping procurar uma meia igual. Não encontrei, é claro. Só tem cor chata nas lojas! Onde estão as meias verdes, roxas, cor-de-rosa, listradas? Pelo menos consegui uma azul bem bonita. ❤ Fiquei inspirada pela moça que não se importa se suas combinações parecem ousadas demais ou se simplesmente não combinam. Ela usa muita cor, sapatos diferentões e estampas divertidas.

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Desenhado por Jill Taylor, o figurino é um elemento essencial na história. As cores de Louisa contrapõem a acidez de Will. Ele sofreu um trauma e está passando por uma situação muito delicada. Não sai de casa e não encontra motivos para sorrir. A vida dele está completamente “sem cor”. Então chega Louisa: sorridente, tagarela, otimista.

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Inspiração: Mistura de estampas (coordenando as cores, mas com padrões completamente diferentes <3), toque clássico com lencinhos no pescoço, meias coloridas, mistura de texturas, sainhas, jardineiras. Os sapatos são uma atração à parte – nada monótonos.

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Em entrevista ao portal The Star, Emilia Clarke disse que ama moda e adorou as escolhas da figurinista Jill Taylor para o filme. Os 72 outfits foram selecionados em brechós e lojas variadas. A atriz acredita que as roupas a ajudaram a sentir o coração da personagem.

Sobre suas escolhas, a figurinista disse ao site footwearnews: “Louisa queria estudar moda, e com isso era inerente que ela tivesse um grande amor pelas roupas. Então a construímos como uma ‘colecionadora de roupas’. Algumas de suas peças eram como obras de arte para ela. Seus sapatos tiveram um papel importante com relação à isso.” No livro foi descrito que a personagem usava sapatos “excêntricos”,  o que serviu de base para a composição dos looks.

Enquanto procurava referências para o post, fiquei surpresa com alguns comentários que vi na internet. Sabe quando você fica tão maravilhada com algo que acredita não ser possível alguém discordar de você? Pois é. Vi sites de moda chamando as combinações de “horríveis”. É, a ousadia incomoda mesmo. Tudo o que foge do padrão está arriscado à alguns olhares tortos. Mas, sejamos francos: fugir das regras pode ser muito divertido.

Referências:

The Star

Foot Wear News

Algodão: leve, natural e… sustentável?

Oi, gente!

Hoje vamos começar a falar sobre tecidos e materiais por aqui. Afinal, para construir uma moda sustentável e consciente, é preciso não só reduzir o consumo, mas também entender do que é feito o que consumimos. Começo pelo Algodão, material presente em boa parte das nossas roupas, e que muitas vezes é vendido como “ecologicamente correto”. Mas será mesmo?

História

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O algodão é a fibra mais antiga cultivada pelo homem. Suas referências históricas vêm de seculos antes de Cristo. Os árabes foram os primeiros a tecer a fibra de algodão e, depois da descoberta do caminho para as Índias, o algodão se espalhou pela Europa. A exportação de algodão dos Estados Unidos para a Inglaterra, durante a Revolução Industrial, foi um importante fator para o desenvolvimento da economia americana. Hoje a China, Estados Unidos, Paquistão, Índia e Uzbequistão estão entre os maiores produtores.

Tecidos de algodão

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Fonte: http://www.the-anthology.com

O algodão compõe tecidos que possuem maior durabilidade e resistência. Por ser uma fibra natural, facilita a transpiração, sendo indicados para ambientes quentes e úmidos. Entre os tipos de tecidos feitos com o algodão, temos:

Cambraia – tecido bem fino, normalmente usado em camisas, possui leve transparência.  Também pode ser feito de linho, mas nesse caso é mais pesado.

Tricoline – tecido leve que pode ser encontrado também com o nome de “cetim de algodão”, muito usado para vestidos, blusas e saias de verão. Indicado também para patchwork e artesanato em geral.

Laise – Tecido de algodão  que possui uma espécie de bordado feito de furos, é leve e aparece principalmente em vestidos.

 

Sarja 100% algodão – A sarja é o nome dado ao tecido que é feito de uma forma que produz estrias diagonais paralelas, que fortalecem o tecido. É um tecido de boa durabilidade e resistente a rasgos e amassados. Devido à sua força, é ideal para roupas, bolsas, cortinas e artesanato. Tweed, jeans, chino e brim são formas de sarja de algodão.

Algodão Orgânico

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Fonte: http://www.bhumi.com.au

Apesar de ser uma fibra natural, nem sempre o algodão é considerado orgânico ou sustentável. Segundo dados da Fundação de Justiça Ambiental (EJF), retirados da página Sustentabilidade, do Estadão, a lavoura do algodão é considerada a mais tóxica do mundo, responsável pelo uso de 25% dos pesticidas e agrotóxicos de todo o planeta e matando até 20 mil agricultores por ano, devido ao veneno.

A classificação orgânica do algodão depende de como ele é cultivado, envolvendo critérios de preparo do solo, uso de adubos naturais e sementes sem veneno. Para ser orgânico, o controle de pragas deve fazer uso de produtos que não prejudiquem o meio ambiente. Nesse método de cultivo há redução no consumo de água, na emissão de gases, acidificação, eutrofização e demanda de energia primária

A produção do algodão orgânico tem crescido, mas ainda representa uma parcela muito pequena da produção mundial. É preciso estar atento às etiquetas: o setor de orgânicos é inspecionado para ter um certificado, recebendo um selo específico. No Brasil a certificação é feita pela Federação Internacional de Movimentações de Agricultura Orgânica. Ainda existe um bom número de produtores que seguem os preceitos corretos, mas não dispõem do selo. O algodão que eles produzem recebe o nome de de agroecológico e também é confiável.

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Fonte: http://www.ecycle.com.br

Muitas vezes o termo “natural” é usado no marketing das empresas para atrair o consumidor, fazendo-o pensar que está adquirindo algo que não agride o meio-ambiente ou sua própria saúde. Porém, o termo significa apenas que o produto vem da natureza, mesmo que tenha sido extraído de forma agressiva ao ecossistema. Com isso, precisamos ter consciência de que o algodão é sim uma matéria prima excelente e que compõe tecidos leves e confortáveis, porém sua produção na maioria das vezes não é sustentável. Não digo que todos devem consumir apenas o que é orgânico, mas se você prioriza o algodão por razões ecológicas, tenha consciência de que pode estar compactuando com um sistema de cultivo agressivo e que pode não condizer com o seu pensamento.

Mais importante do que abrir mão de tudo, é entender o que estamos consumindo e conhecer novas possibilidades.

Para saber um pouco mais:

Superela – tecidos para ficar fresquinha no verão

Estadão: Natural sim, sustentável nem sempre

Ecycle: Algodão orgânico: diferenças e vantagens

Autossustentável: Materiais sustentáveis que fazem a diferença

Escola.britannica: Algodão

Fashion Revolution

No dia 24 de abril de 2013, aconteceu uma tragédia em Bangladesh. O edifício Rana Plaza, que abrigava diversas confecções de roupa, muitas de produção em larga escala para marcas globais, desabou, causando a morte de 1133 trabalhadores e deixando outros 2500 feridos. A partir dessa data, duas ativistas e designers pioneiras em moda sustentável, Carry Somers e Orsola de Castro, criaram o movimento Fashion Revolution, tornando o dia 24 de abril o Fashion Revolution Day.

Logo a campanha se espalhou pelo o mundo, e hoje une mais de 80 países com o objetivo de mostrar à todos os impactos socioambientais dos processos de produção das roupas, desde a extração da matéria-prima até o consumo. O movimento global Fashion Revolution acredita em uma indústria da moda que valoriza e respeita as pessoas, preserva o meio-ambiente, promove criatividade e inovação e distribui riquezas em medidas justas. Para isso, sua missão é sensibilizar e conscientizar a sociedade.

Nesse mês acontece a terceira celebração do Fashion Revolution Day. Aqui no Brasil, eventos estão programados para Belo Horizonte, Rio de Janeiro, NiteróiSão Paulo, São José dos CamposCuiabá, entre outras cidades.

Estamos preparando um dia de revolução fashion em Juiz de Fora e convidamos você a se juntar a nós. Separe as roupas que você não usa mais e aguarde o nosso piquenique no dia 30 de abril, no campus da UFJF. Teremos bazar de trocas, oficina de customização e muito bate-papo.

Além de eventos físicos, a campanha do Fashion Revolution acontece nas mídias sociais. Você pode participar postando uma selfie com a etiqueta de sua roupa aparecendo e na legenda, a pergunta: “Quem fez minhas roupas?”. Use a hashtag oficial  #whomademyclothes e as adicionais #fashrev e  #quemfezminhasroupas.

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Se você tem alguma ideia para o nosso evento em JF e acredita que pode contribuir de alguma forma, mande um e-mail para: isabelamag@hotmail.com

Para maiores informações:

Fashion Revolution Brasil

Agradecimento super especial à Ana Luiza Siqueira, Ana Mansur, Luana Braz, Gabriela Vázquez, Patrícia Aragão e Paula Filgueiras, que estão embarcando na revolução comigo.

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5 Livros para começar a estudar moda

Ao fim do ano de 2009, eu começava a perceber que as minhas Revistas Capricho já não me satisfaziam mais: era hora de ir um pouco além na minha busca por informação de moda. No natal daquele ano, eu não troquei o meu Cartão Saraiva por um livro de romance, eu troquei por um livro sobre moda. Posso dizer que As 100+ foi um divisor de águas na minha vida, hahaha. Três anos mais tarde, eu rompi as fronteiras das bancas e livrarias e fui para a faculdade de moda.

Hoje eu passeei pela minha estante em busca de livros queridinhos e que servem tanto para quem é como a Isabela de 2009, que tem vontade de ler um pouco sobre moda por simples curiosidade e interesse, ou para a Isabela-três-anos-mais-tarde, e que está de fato começando a estudar moda.

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1- As 100 +, Nina Garcia: O primeiro da lista é o primeiro livro de moda da minha vida. Não sei se está aqui por mérito ou por questões afetivas mesmo. Minha opinião sobre ele mudou um pouco durante os anos, junto com a minha mudança de olhar sobre a moda. Mas é um guia bem completo. Nele, Nina Garcia lista os 100 itens de moda que “toda mulher fashion deve conhecer”. É um livro que estimula o consumo, portanto deve-se ter senso crítico para filtrar as informações que ele apresenta. O bacana dele é a linguagem fácil e informal, e também as explicações e história de cada item. Bônus: As ilustrações de Rubem Toledo são lindas.

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2 – O Livro Negro do Estilo, Nina Garcia: Da mesma autora de As 100 +, O livro Negro do Estilo é um guia prático com as visões de Nina Garcia sobre o que é estilo. Aqui ela mais uma vez direciona sua fala para as mulheres, apesar de ser um livro que poderia apreciado por qualquer pessoa. Com algumas palavras sobre autoconfiança e aceitação, o livro tem um objetivo bem diferente do primeiro. Aqui ela diz que menos é mais e que o mais importante na hora de se vestir é se conhecer e entender que não é o dinheiro que o fará se vestir bem. O capítulo três é o mais legal. Nesse, ela relaciona: estilo e cinema, moda e música, moda e viagem, e moda e arte. Minha parte favorita é o guia de filmes de diferentes épocas, para assistir observando o figurino. ❤

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3 – Um Século de Moda, João Braga: O livro “Um século de moda”, de João Braga, é um dos livros mais sucintos do autor. Indicado para qualquer pessoa interessada em história e história da moda, cada página da obra fala sobre um ano do século XX e um acontecimento daquele respectivo ano, com relação à moda.  São curiosidades de leitura rápida e que podem despertar no leitor o interesse em procurar saber mais sobre cada tópico abordado.

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4 – A Roupa e a Moda, James Laver: Para quem quer entender um pouco mais a história da moda, desde o início até os anos 1980, eu indico o primeiro livro que comprei ao começar a faculdade de moda. Com uma narrativa breve, A Roupa e a Moda, de James Laver, é rico em imagens e nos faz mergulhar por toda a história do vestuário.

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5 – Tudo Sobre Moda, Marnie Fogg: Se até agora citei livros breves e resumidos, aqui temos 557 páginas recheadas com muita informação de moda. Também aborda os assuntos de forma sucinta, mas é o que tem uma maior variedade de temas. Ícones da moda, estilos, épocas históricas, movimentos: de tudo um pouco. De todos dessa lista, sem dúvidas é o meu favorito. Se você quer investir em um livro de moda, pode começar por ele.

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Tentei fazer uma lista com livros bem práticos, para quem quer entender um pouquinho mais sobre esse universo da moda e da história da moda. Futuramente trarei mais dicas de livros para quem desejar aprofundar-se nesses estudos. ❤

Muito obrigada pela visita!