Meu primeiro ícone de estilo

Não foi a Audrey Hepburn, nem Chanel, nem nenhuma artista famosa. A arte dela não tem nada a ver com moldes, bordados e tecidos, mas a verdade é que eu acho que ela entende um pouquinho de tudo – sempre teve um olhar atento pra tudo e todos. Isso reflete no jeito dela de se vestir e de se cuidar (e amar). Entende meu estilo como ninguém (e até melhor que eu mesma). Cursei moda, mas grande parte do meu guarda-roupas foi ela quem escolheu – ou ajudou na decisão.

Ela viu a cintura alta sair de moda e voltar à moda. Usou biquíni de asa delta, micro-shortinho e cabelo com franjinha. Deixou a franja crescer, mudou de visual não sei quantas vezes. Pintou o cabelo pela primeira vez aos quarenta e poucos anos. Ninguém nunca deu quarenta e poucos anos pra ela.

Meu primeiro ícone de estilo me mostra todos os dias e em todos os sentidos, que a gente pode – e deve – correr atrás do que a gente quer. Em qualquer época, qualquer lugar: nenhum percurso é longo demais. Mesmo com a maturidade e sabedoria de quem atingiu a metade de um século, ela é jovem e sabe que sempre é hora de viver aventuras e aprender coisas novas.

Ela me contou que quando era criança, brincava de Liga da Justiça com os amigos e fazia o papel de Mulher Maravilha. Hoje, mais do que nunca, isso faz todo sentido.

Feliz Aniversário, mamãe. Você não é chata, você é maravilhosa.

 

 

A arte do encontro

Era uma segunda ou quarta-feira. Se encontraram em um café, sorveteria ou padaria com vasos de flor em cima das mesas. Pediram um chocolate quente ou um milk shake de chocolate branco. Prepararam uma peça digna de prêmio de festival.

No início eram só os dois no meio desse palco que você chama de mundo. Ao longo do processo, a história cresceu. Criaram coletivamente muitos momentos inesquecíveis e efêmeros como a arte. Não tinha direção certa e não planejaram o fim. O figurino foi feito com as linhas desfiadas de outras histórias. Costuraram com o máximo de cuidado possível. Compartilharam os guarda-roupas, cheios de memórias de duas jovens vidas inteiras. Se vestiram em abraços que diziam que daria tudo certo. Nos bastidores, ele disse que dividir o palco com ela era um sonho de longa data. Logo ela percebeu que esse sonho também era seu.

A primeira vez em que se viram foi no teatro, anos antes dos muitos roteiros que viveram. Os cenários mudaram, os sonhos também. Ela sabe que ainda tem muita coisa pra ser vista. Muita peça vai entrar e sair de cartaz. Mas a arte que afeta, vai sempre ser lembrada, com todo o carinho de quem já aplaudia muito antes das luzes se apagarem.

– Perdoa esse título clichê e obrigada por ter me encontrado. – Disse isso e tomou o último gole do milk shake, tão doce como foi aquele espetáculo.